cover
Tocando Agora:

Quadrilha vendeu armas feitas em impressoras 3D para condenados por ligação com tráfico de drogas, homicídios e outros crimes

Polícia Civil faz ação contra venda de armas produzidas por impressoras 3D As investigações da Operação Shadowgun, contra um esquema interestadual de pro...

Quadrilha vendeu armas feitas em impressoras 3D para condenados por ligação com tráfico de drogas, homicídios e outros crimes
Quadrilha vendeu armas feitas em impressoras 3D para condenados por ligação com tráfico de drogas, homicídios e outros crimes (Foto: Reprodução)

Polícia Civil faz ação contra venda de armas produzidas por impressoras 3D As investigações da Operação Shadowgun, contra um esquema interestadual de produção e venda de armamentos fabricados com impressoras 3D chegaram à identificação de pelo menos 10 compradores no Rio de Janeiro, na capital, Região dos Lagos e Norte Fluminense. Entre os 79 compradores identificados em todo o Brasil, estão condenados por tráfico de drogas, homicídio, porte ilegal de armas, extorsões, estelionato, porte ilegal de armas, roubo e porte de armas de fogo. A polícia também descobriu que o engenheiro agia com três comparsas. Um era responsável por oferecer suporte técnico direto aos compradores e outros dois faziam a divulgação dos serviços ilegais. As investigações apontam que o material circulava em redes sociais, em fóruns e na dark web. O grupo também usava criptomoedas para financiar as atividades. LEIA TAMBÉM: Chefe de quadrilha criou manual de impressão 3D de armas Prisões foram feitas em São Paulo 4 presos na operação Operação em 11 estados mira esquema de venda de armas e acessórios usando impressoras 3D Até a última atualização desta reportagem, 4 homens haviam sido presos — entre eles, o apontado como chefe da quadrilha, encontrado em Rio das Pedras (SP). Agentes saíram para cumprir 5 mandados de prisão em São Paulo e 36 de busca e apreensão em SP, no RJ e em outros 9 estados. Todos os procurados foram denunciados pelo MPRJ. Segundo as investigações da 32ª DP (Taquara) e do Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (CyberGaeco/MPRJ), o grupo produzia e comercializava principalmente carregadores de armas de fogo feitos por impressão 3D, além de divulgar projetos de “armas fantasmas” — que não possuem rastreabilidade. Os denunciados responderão na Justiça pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de arma de fogo. A operação tem o apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) do Ministério da Justiça e Segurança Pública, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e de policiais civis dos outros 10 estados. Algumas das armas produzidas em impressoras 3D Reprodução Onde os mandados são cumpridos Bahia Espírito Santo Goiás Minas Gerais Pará Paraíba Rio de Janeiro Rio Grande do Sul Roraima Santa Catarina São Paulo Como funcionava o esquema As diligências tiveram início após um órgão internacional compartilhar com o Ciberlab um alerta sobre postagens em redes sociais com ofertas de armas impressas em casa. O principal produto disseminado pelo grupo é uma arma semiautomática impressa em 3D. O projeto era divulgado com um manual técnico detalhado e com um “manifesto ideológico” defendendo o porte irrestrito de armas. De acordo com a Polícia Civil, o chefe da organização é um engenheiro especializado em controle e automação. Usando um apelido e sempre mascarado, ele publicava nas redes sociais testes balísticos, atualizações de design e orientações sobre calibração e montagem das armas. O homem ainda elaborou um manual com mais de 100 páginas detalhando o processo de fabricação, o que permitiria que pessoas com conhecimento intermediário em impressão 3D produzissem o armamento com equipamentos de baixo custo e em casa. As investigações apontam que o material circulava em redes sociais, em fóruns e na dark web. O grupo também utilizava criptomoedas para financiar as atividades. Impressoras 3D eram usadas para fabricar armas e acessórios Reprodução Estrutura organizada A força-tarefa identificou outros 3 integrantes do esquema. Cada um exercia uma função específica: “suporte técnico” direto; divulgação e articulação ideológica; propaganda e identidade visual. Para a polícia, a organização tinha divisão clara de tarefas e combinava conhecimentos em engenharia, impressão 3D e segurança digital para viabilizar a produção e disseminação dos armamentos. Vendas em 11 estados A apuração identificou que o material foi negociado com 79 compradores entre 2021 e 2022. Os clientes estão espalhados por 11 estados. Segundo a investigação, muitos possuem antecedentes criminais, principalmente por tráfico de drogas e outros delitos graves. A polícia investiga se o material abastecia o crime organizado, incluindo tráfico de drogas e milícias. Um dos compradores está preso após ser flagrado com grande quantidade de armas e munição. No Rio de Janeiro, foram identificados 10 compradores, em cidades como São Francisco de Itabapoana, Araruama, São Pedro da Aldeia, Armação dos Búzios e na capital, nos bairros do Recreio dos Bandeirantes e Barra da Tijuca. As diligências têm apoio das Polícias Civis de outros estados.

Fale Conosco