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Vereadora de Esmeraldas é cassada por compra de votos; ofertas variavam entre R$ 50 e R$ 100

Ivanete Mãe do Wellitin (Mobiliza) Divulgação/Câmara de Vereadores de Esmeraldas A Justiça Eleitoral de Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizo...

Vereadora de Esmeraldas é cassada por compra de votos; ofertas variavam entre R$ 50 e R$ 100
Vereadora de Esmeraldas é cassada por compra de votos; ofertas variavam entre R$ 50 e R$ 100 (Foto: Reprodução)

Ivanete Mãe do Wellitin (Mobiliza) Divulgação/Câmara de Vereadores de Esmeraldas A Justiça Eleitoral de Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, determinou a cassação do mandato da vereadora eleita Ivanete Mãe do Wellitin (Mobiliza), ao concluir que houve compra de votos durante a campanha das eleições municipais de 2024. Cabe recurso. O g1 procurou a vereadora e a Câmara Municipal de Esmeraldas, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. De acordo com a Justiça Eleitoral, a então candidata oferecia de R$ 50 a R$ 100 por voto, em esquema que também tinha participação do filho dela, Wellington Adriano Silva Júnior, conhecido na cidade como Wellitin (saiba mais abaixo). Além do mandato cassado, a decisão também determina aplicação de multa de ceca de R$ 37 mil à parlamentar. Na mesma sentença, a Justiça absolveu o prefeito Marcelo Nonato (Solidariedade) e o vice-prefeito Gustavo do Dedé (Mobiliza), que também eram citados no processo. Segundo a juíza responsável pelo caso, não ficou comprovado que eles participaram, autorizaram ou tinham conhecimento do esquema. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Oferta de R$ 50 a R$ 100 De acordo com a decisão, ficou claro que eleitores foram abordados com propostas de pagamento, geralmente entre R$ 50 e R$ 100, para votar em Ivanete Mãe do Wellitin. As ofertas foram feitas principalmente por mensagens de WhatsApp e contatos pessoais. Testemunhas confirmaram que receberam a proposta e, em alguns casos, chegaram a enviar foto do comprovante de votação, como forma de confirmar o voto. Para a Justiça, não é necessário provar que o dinheiro foi efetivamente pago; apenas a oferta já configura crime eleitoral. Movimentação suspeita As investigações começaram após denúncias anônimas e resultaram em uma operação policial no dia da votação, em 6 de outubro de 2024. Policiais constataram grande fluxo de pessoas entrando e saindo de uma casa no Centro de Esmeraldas, o que levantou suspeitas. No local, foram apreendidos celulares, material de campanha e mensagens que indicavam a negociação de votos. Imagens de câmeras de segurança e depoimentos reforçaram a suspeita de que o imóvel era usado como ponto de apoio para o esquema. Dinheiro em espécie Outro ponto decisivo foi a movimentação financeira considerada fora do padrão da candidata durante o período eleitoral. Entre julho e outubro de 2024, Ivanete Mãe do Wellitin movimentou cerca de R$ 530 mil, incluindo saques em dinheiro próximos de R$ 40 mil, valores que a Justiça considerou incompatíveis com a renda declarada da então candidata. A sentença também destacou a atuação do filho de Ivanete, Wellitin, que não podia se candidatar por estar com os direitos políticos suspensos. Mesmo assim, ele participou ativamente da campanha, fazendo contatos e coordenando ações. A relação ficou evidente, inclusive, no nome de urna escolhido pela candidata, que fazia referência direta ao filho. Prefeito e vice não tiveram participação comprovada Apesar de algumas abordagens a eleitores também envolverem pedidos de voto para a chapa de prefeito e vice, a Justiça entendeu que não há provas suficientes de que Marcelo Nonato e Gustavo Henrique tenham participado ou apoiado a compra de votos. A juíza ressaltou ainda que o esquema teve alcance limitado, restrito a grupos pequenos e localizados, e não foi capaz de alterar o resultado da eleição para prefeito, que teve uma diferença de mais de 12 mil votos entre o vencedor e o segundo colocado. Com a decisão, Ivanete Mãe do Wellitin perde o mandato conquistado nas eleições de 2024. Ainda cabe recurso à instância superior da Justiça Eleitoral. Paralelamente, o caso continua sendo analisado na área criminal, em processos separados, que apuram a responsabilidade de outros envolvidos apontados nas investigações. Confira os vídeos mais vistos no g1 Minas:

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